terça-feira, 27 de julho de 2010

A CAMINHADA

Aqui deixo um pequeno texto que escrevi em uma madrugada qualquer...
É um relato de emoções e sentimentos, que pode representar tanto a caminhada da vida como uma mera caminhada fática de um filho e sua mãe.


A CAMINHADA

Naquele dia o menino andava de mãos com a mãe, que estava a sua esquerda, o sol e o respirar davam a impressão de estar tudo árido, olhava o tempo todo à sua direita, que trazia um tranqüilo e aconchegante horizonte, cujo capim era curto e ralo, com alguns tufos de capim mais comprido, e algumas falhas na grama em que se podia ver a terra marrom com aspecto de estar seca, e era por um estreito caminho de terra assim que caminhavam.
O chão era razoavelmente nivelado, sem quase buracos ou porções de pedra ou areia mais altas, o sol, de meio de tarde, dava um aspecto amarelo-ouro ao lugar, e fazia com que o clima, de uns 20 graus, se tornasse mais agradável. Quase não havia brisas, mas quando vinham eram tranqüilas e serenas ao toca-lo. Em alguns momentos, o menino dava longas olhadas para o chão, vendo seus pés, de tênis branco (um pouco sujos pela poeira do chão) caminharem pela trilha de chão marrom, que mesmo seco mostrava estar vivo.
O local era amplo, nele, quase não havia árvores, o que havia, mas, também em pouca quantidade, eram alguns pequenos e ralos arbustos dispostos muito longe uns dos outros. Oque mais se via era aquela grama e arbustos, um pouco pobres, balançando quando vinham as brisas, que por sua vez, traziam um delicioso e delicado assovio a seus ouvidos. Era um balançar que parecia ser em câmera lenta, cuja harmonia era tão grande que parecia tornar o momento algo lúdico, como se o menino pudesse sentir-se balançar entre os pequenos tufos de capim.
O sol dava mais ou menos em suas costas, e, fazia sua sombra nivelar bem para a esquerda. O caminhar era silencioso, dava para ouvir cada ruído das brisas e dos passos. O horizonte a esquerda era uma leve descida, e, por isso, sentia que a visão tinha o privilégio de chegar ainda mais longe. E seus olhos pareciam relaxar naquela visão, assim como seus pensamentos, que se perdiam naquilo de tal forma que parecia quase não pensar em nada.
Sua mão esquerda era agradavelmente segurada pela mão morna de sua mãe, ao mesmo tempo em que, seus pensamentos, estavam perdidos nuna grande mansidão. Parecia que sua alma é que pensava, e com certa inquietude que não conseguia traduzir, só sentia vagos pensamentos, que mais pareciam sensações, que lhe traziam coisas a ver com Deus a cabeça, assim como sensações que traziam leves, e quase imperceptíveis friozinhos no estomago, como que de alguma preocupação não muito definida, algo como se fosse a ver com o futuro, e, essas coisas que sentia pareciam penetrar em sua alma como a brisa penetraria em uma peneira, ao mesmo tempo que sentia uma angustia em sua alma, sentia-se em uma situação deliciosamente divina e lúdica, que o trazia uma emoção no sentir, como se ela acordasse e ultrapassasse os limites do mundo em que vivia, como se olhasse para o futuro, temendo-o, esperando-o, amando-o, e, sendo otimista.
Ele sentia uma engraçada sensação de bondade em seu interior, e era como se transbordasse por seus poros, parecia amar o mundo e tudo que nele há, sentia-se mágico, e, capaz, vendo que seus temores não eram fraquezas, sentindo-se um ser perfeito em sua humanidade, sentindo-se, então, feliz.
Olhou para sua direita e viu sua mãe, caminhando a seu lado e perdida em seus pensamentos, viu-se ligado a ela pela alma, tendo suas mãos entrelaçadas pelo amor dos dois. Sempre receou um dia não te-la, mas, naquele momento, sentiu que, um, sempre teria o outro, que ela era parte dele, e vice-versa, e, sentiu que o mundo era seu e ele era do mundo, que era como se fosse uma caminhada com a brisa sempre soprando em sua face, brisa que secará as lágrimas e assoviará em seus ouvidos aquela canção que embalava o delicado dançar dos arbustos e capim sob a luz forte, insistente e dourado-sonho do sol. Sentiu-se, então, ainda mais feliz.
Decidiu olhar para frente, viu que a trilha de terra marrom continuava a perder de vista, viu que havia o mesmo tipo de capim, tufos de grama mais alta e arbustos que observava, antes, a sua direita. Viu que o céu era de um azul-turquesa profundo, cuja beleza tocava e marcava sua alma. Sentiu, então, que seus olhos e pensamentos não estavam mais tão perdidos, começando a ser recobrados, sentiu-se disposto para correr, pular, dançar, dar risadas... Parou de caminhar, virou-se para sua mãe, que o olhou tentando entender o porquê da repentina parada, e, sem dizer nada, abarcou-a com forca, alma e amor, fechando os olhos e repousando sua cabeça em seu ombro maternal, ela, na mesma intensidade, retribuiu tal abraço, que perdurou por alguns muitos e intensos segundos. Ao fim desse abraço, seguiram a caminhada abraçados, a mãe com o braço circundando a altura dos ombros do menino, e este, por sua vez, com o braço em volta do tronco da mãe... E assim, seguiram a caminhada, aumentaram o passo, olharam para aquele céu, paisagem e trilha a sua frente com sorriso no rosto, e, simplesmente, continuaram caminhando felizes.


07/06/2008



JOSIELE PEREIRA CASTRO

2 comentários:

  1. muito lindo teu poema amor!! me transmitiu algo leve, tranquilo! me trouxe paz ao ler , e paz ao lembrar minha mãe, alem do teu colo, teu carinho, assim como esses 5 meses de pura paz e felicidade que tenho ao teu lado... te amo

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  2. Eu que te amo amor!!!
    Que bom q te passei isso com o texo...e que bom q tbm te remeteu a minha lembrança...
    Obrigada por tudo amorzinho...assim como pelos 5 meses mais felizes de minha vida!
    Te amoooooooo

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